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Estudo do meio – Picinguaba

Relato de viagem – estudo
do meio – oitavo ano de 2013

Picinguaba – praia de pescadores
de contos e contas…

Cida
Lima Leme

Ludmila
Santos

Marina
Reiter

É
água no mar, é maré cheia ô

mareia
ô, mareia

É
água no mar…

Não
sei se é conto de areia

Ou se
é fantasia.

Que
a luz da candeia alumia.

Pra
gente contar.

(Clara
Nunes)

Como
na música de Clara Nunes, Conto de Areia, nos pusemos a andar na praia, com os
contos dos caiçaras na cabeça, não somente sobre os estudos formais do nosso
alvo escolar, mas de jeitos de viver e de pensar o lugar. Mangue é manguezal,
pois não se restringe à planta, mas ao conjunto de elementos que habitam a região.
Mora nas artes, e se derrama no artesanato dos colares e barcos em miniatura…
Contos e contas, pai, filho e neto, na passagem do conhecimento, na mansidão
das lagoas, nas tormentas tropicais e na lida rotineira da preparação do
alimento.

“-
O peixe daqui é feito diferente. Tem sabor diferente.”

“-
Deve ser por causa do tempero!”

“-
É nada, ele é diferente porque a gente tá acostumado a comer peixe só
congelado… O daqui não fica na geladeira, ele é pescado pela manhã e logo
preparado.”

O
mar oferece o alimento e o homem, de nome Gil que conduzia-nos, explica que há
pouco tempo voltou a ter camarão no Saco do Mamanguá, parada da quarta–feira
(dia 15 de outubro), pois a pesca de arrasto foi proibida. O lugar é conhecido
como um fiorde tropical, fincando em uma espécie de baía de águas verdes e
morros que despencam florestas para todos os lados.

No
almoço, as mesas grandes e as redes ofereciam aconchego que chegavam junto com
a farofa de banana e as conversas com o pai do Gil, nosso anfitrião, que abria
a casa pra gente. Pessoa de cabelos brancos e prosa boa, explicações de
pássaros e passaradas que faziam ninhos em forma de bolsas, caídas nas árvores
como sacos. Alguns mais desavisados diziam: que fruto mais engraçado esse…

Findado
o almoço, começávamos a nos arrumar para outras histórias sobre a vida das
famílias que habitavam o Saco do Mamanguá. Idas e vindas no tempo, passagens de
primos e irmãos, falas ao som das investidas no
tronco da caixeta, madeira da base do artesanato local. As reproduções
de barcos podiam ser de dois a duzentos centímetros. Gil nos contava sobre como
fazer o barco.

Olhos fixados naquele
pedaço de madeira que, aos poucos, se transformava em um barquinho. Rico
processo de transformação! Enquanto observávamos a construção, ouvíamos
histórias sobre os artesãos e percebíamos que aquelas pessoas não apenas
falavam sobre a sustentabilidade, mas praticavam-na em suas ações cotidianas.
Compreendemos que é possível, por exemplo, fazer um manejo adequado da floresta
de tal forma a retirar de maneira sustentável a caixeta, madeira tão importante
para o artesanato local.

Entretanto, o nosso
dia não findava ainda… E a chuva não parava, insistia em nos acompanhar
durante todo o trajeto de barco até chegarmos de volta à Paraty Mirim onde um
banho gelado nos aguardava. E, mesmo debaixo de chuva, não desistimos de andar
pelas encantadoras ruas de Paraty. Sentimento de retorno ao passado diante de
tantas construções antigas, arquitetura preservada, calçamento de pedras com
inclinação para o escoamento da água. A luz do entardecer mostrava nas poças as
fachadas e refletiam na iluminação o charme natural daquele lugar.

Mas… voltemos ao
dia anterior (terça-feira, dia 14).

Primeiro dia da
viagem, muita coisa por ver, fazer, acontecer: casa da farinha, Mata Atlântica
de Encosta pra começar e depois uma longa caminhada pela Restinga até chegarmos
ao primeiro Manguezal. Muitas experiências e experimentações. Pelos caminhos da
Restinga surpresas e conhecimento sobre as características daquele bioma.
Olhares para a vegetação que teimava em nos tocar roçando nossas pernas e braços
e ouvidos atentos ao som do mar que, um pouco longe ainda, já anunciava o
delicioso banho que viria ao final do dia.

Pés ao chão e tênis à
mão, era chegada a hora do contato com o lodo do manguezal. Morno, melado, ora
seco ora molhado. Entre passos e pegadas ouvíamos atentos as explicações dos
monitores sobre a vegetação do manguezal e suas adaptações para sobrevivência em
ambiente salobro. Aprendemos, especialmente, sobre o mecanismo utilizado pelas
plantas na eliminação do excesso de sal absorvido com a água e descobrimos
detalhes interessantes sobre alguns animais que vivem naquele local. Andávamos
desviando o tempo todo de raízes e de pequenos caranguejos que corriam a se
esconder em suas tocas.

Após uma longa, calma
e proveitosa caminhada através do manguezal avistamos a imensa praia da fazenda
que abrigou nossos passos e nossa diversão ao final de um dia tão intenso!

E… intensa era a
nossa torcida para que a chuva parasse até a quinta-feira, dia 16!

Dia
do tão aguardado mergulho. E, mais uma vez, o tempo “não eu trégua”. Dia
nublado, ameaçando chover! Mesmo assim, nos preparamos para o mergulho livre
que não foi dos melhores porque o mar estava muito turvo tornando quase
impossível a visibilidade. Porém, fomos persistentes. Equipados com máscara,
snorkel e nadadeiras entraram todos para experimentar, pela primeira vez, a
sensação de um mergulho no mar.

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